quinta-feira, 28 de junho de 2012

Velho Tema

O que é matemática? Em um sentido estrito, a matemática não existe. A matemática é apenas uma ideia, uma abstração. Produto de nossas vivências, reminiscências e percepção de mundo. Produto de nosso desejo de elevar a condição humana por intermédio da intelectualidade.

Conforme o filósofo e escritor francês Jean Paul Sartrè, a espécie humana é a única na qual a existência precede a essência. Há, em nós, a necessidade de compreender a realidade, e o fazemos através de um conhecimento que nós mesmos inventamos. Geramos e gerimos irrealidade.

Galileu Galilei interpretou a matemática como a linguagem do universo. Uma linguagem é subjetiva por natureza, é de quem ouve e de quem fala. O matemático é um poeta, que no corromper da língua com a possibilidade subjetiva, resgata a linguagem e fala ao mundo de si.




A matemática não é algo exterior e independente. Ela se faz linguagem do mundo no momento em que existe alguém que a precisa falar para ser. A curiosidade, o gerir e o gerar da irrealidade, o intelecto humano, o homem, a invenção de novas possibilidades, são os elementos morfossintáticos desta linguagem.

E a matemática como ideia, abstração, linguagem, tem sido o motor da humanidade. Aliada às ciências exatas e à filosofia natural tem incitado revoluções de cunho social e tecnológico. Tem divagado sobre a existência humana. Tem intrigado nossa psique.

A matemática como ideia, abstração, linguagem, permitiu comprovar a esfericidade da Terra. Permitiu a conquista dos mares e do espaço. Permitiu conhecer um mundo que nós literalmente nunca veremos: o universo subatômico. Permitiu os avanços tecnológicos e a globalização. Permitiu a Primavera Árabe. Permite a evolução do universo social contemporâneo.

E a matemática como ideia, abstração, linguagem, descobre, redescobre, inventa, reinventa, mistifica, desmistifica. Parafraseando o poeta parnasiano Vicente de Carvalho: "Essa 'matemática' que supomos/ Árvore milagrosa que sonhamos/ Toda arreada de dourados pomos/ Existe, sim; mas nós não a alcançamos/ Porque está sempre onde a pomos/ E nunca a pomos onde nós estamos.".

terça-feira, 20 de março de 2012

Poucas Palavras

Fico pensando em tudo que não foi e poderia ter sido, tudo que foi e não deveria ter sido. Fico pensando em todas as possíveis jogadas, em todos os lances. Fico pensando em todas as possibilidades, probabilidades, chances, incertezas e no acaso. Amigos que ainda seriam amigos, inimigos que ainda seriam inimigos, paixões que nem me passariam pela cabeça, olhares que nem me atrairiam e olhares que me chamariam muita atenção.

Penso. Preso no presente por um passado nostálgico, por um futuro incerto. Medo e coragem me tomam, e lá vou eu escrever de novo. Alternando entre primeira e terceira pessoa, eu mesmo e minha autoconsciência. Eu mesmo, e um outro eu que me avalia, me julga, me elogia, me discrimina. Um desabafo mudo, que grita. Palavras, metáforas e um pouco de mim. Um pouco do leitor também, que certamente(!?) se encaixa nas linhas e entrelinhas destes textos.



Medo e coragem me tomam. Medo. O que o futuro me reserva? Coragem! É preciso deixar para trás! Capítulo passado que não vale a pena ver de novo. Agora são novos horizontes. Nova sintonia, nova simetria. A mesma novela com outros protagonistas. Os mesmos olhos e outros sorrisos. Os mesmos olhos em um outro foco. Em um outro foco o mesmo erro, se apaixonar.

No mesmo erro, as mesmas metáforas. Olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Lábios que  são labirintos. Uma luz que não produz sombra. No mesmo erro, outras metáforas. Como Estevão em A mão e a luva, ingênuo, leviano, sentimental, inseguro, sincero.

No mesmo erro, poucas palavras. Silêncio em cada suspiro, no mais breve e fugaz respirar. No mesmo erro, uma única certeza, a de que amores sempre vêm e sempre vão. Fico pensando em tudo que foi e não podeira ter ido.

Poucas palavras, as mesmas metáforas e um pouco de mim.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Rascunho


É tão difícil escrever quando se quer escrever. Mais fácil é deixar as palavras fluírem na mente. Mais fácil é deixar as palavras virem incertas, na certeza de que serão as palavras certas. Mais fácil é deixar as palavras virem desordenadas, na certeza de que irão se encaixar de alguma forma, ou na certeza de que de forma alguma se encaixarão. É tão fácil deixar as coisas (não seriam as palavras?!) fluírem, e elas fluem. 

É a variação da entropia do universo. É a segunda lei da termodinâmica. E nessa de me deixar levar pela física me envolvi em outra daquelas conversas que só desconversam. Já era noite, quase manhã. Tarde demais para dizer que era cedo. Cedo demais para dizer que era tarde. Entrei no meu e-mail para tomar nota de minhas atualizações e acabei encontrando quem eu menos esperava encontrar. Uma ironia que deu certo. Perfeita simetria.

Rascunho.
Uma noite nostálgica. Lembranças de um futuro que eu imaginava. Alguém que me marcou muito por muito pouco tempo. E que em muito pouco tempo me lembrou de tudo que eu esquecera. Uma quase manhã nostálgica. Um diálogo que me envolveu. E eu nem me lembrava mais de quando haviam me envolvido tanto numa conversa noite adentro, estrada estranha. E eu que nem me lembrava... 

Ainda há pouco, éramos nós. Agora somos eu e você. Mas, éramos nós mesmos? E eu que nem me lembrava da gente...

Ainda não sei quem nós éramos, nem se éramos nós mesmos. Ainda não sei o que éramos nós. Na verdade, talvez eu não saiba quem fui, mas sei muito bem quem era ela. Talvez porque ela tenha sido e ainda é, sincera demais. Talvez porque ela seja intimista, consigo mesma e comigo. Talvez porque ela sabia ser descuidada na medida certa e eu certinho e relaxado ao extremo.

Noite adentro, estrada estranha, palavras iam e vinham. Foi um desprazer saber que aquela noite acabaria, mas era quase manhã, e há um mundo lá fora em que todo o mundo vive a vida. Palavras iam e vinham, lembranças vinham e iam, sorrisos iam e vinham, só eu era quem ficava. E ficava para trás. Lembranças, planos para o futuro, o presente e metáforas predominavam, predominava também meu dissabor em ter estado distante, sem ter podido antes falar.

Voltei a estar perto, mas ainda tão distante. Numa distância física. Uma distância física que dá coragem para falar. Mas é fácil falar depois que aconteceu. Sem ter nada a perder. Sem o risco de pagar pelos meus pecados, de pagar pelos erros que cometi. 

Entrei no meu e-mail para tomar nota de minhas atualizações, e todas estas coisas foram feitas notas secretas da madrugada. Antes de sair, só ouvi um último sussurro no silêncio ensurdecedor da madrugada, não fique distante outra vez. Era eu mesmo e minha autoconsciência. Era eu mesmo, me procurando nos rascunhos do passado. Era eu mesmo tentando me encontrar. Era eu mesmo. Eu e ela. Um rascunho.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Desconversando

Oxente me falou uma moça paraense em uma dessas conversas que só desconversam. Oxente disse eu, nem sabia que por lá falavam oxente. Só sabia que  no Pará quando não se ia pela direita, era preciso ir pela exquerda. Isso mesmo, não é esquerda não caro leitor, é exquerda com o ésse chiado. Quase um carioquês.

A conversa com a tal moça até que ia bem, a não ser pelo primo dela que se dirigiu a mim e num tom que tudo denunciava exclamou: "Eu sou 'homi', eu sei o que tu queria, seu 'coisado'!".

Seria cômico se não fosse trágico! (os clichês me perseguem!). Não, não foi tão trágico assim. Trágico foi saber que ele era "homi". Não, também não foi tão trágico assim. Era a confirmação de sua identidade. Mas também não precisava se auto-confirmar me chamando de "coisado".



Quando falo em confirmação de identidade, falo desse português que perde a identidade para poder dar identidade. Falo dessa coisa de chamar guri de piá, de chamar piá de guri, de esquecer que guri e piá são o mesmo que moleque. Aff! Por que não chama logo esse piá de moleque? Por que não chama logo esse guri de moleque? Por que não chama só de moleque?

Por quê? Porque piá nasce em Cascavel, guri é Porto Alegrense e moleque, ah, moleque é uma coisa aqui do Maranhão. Isso que me fascina, esse português que perde a identidade para poder dar identidade. São vários idiomas agrupando-se no mesmo idioma. É o mesmo idioma desmembrando-se em vários idiomas. Culturas.

Como diz Ariano Suassuna: "Não troco meu oxente pelo okay de ninguém". Oxente, foi o que respondi, a uma moça paraense em uma dessas conversas que só desconversam.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Tudo Bem

Tudo bem. Tudo bem coisa nenhuma. Cansei de ler blogs e dizer para meus caros colegas que se forem exagerar, que exagerem com "g".  Cansei de vírgulas aparentemente inócuas, mas que ambíguam (isso mesmo, sou um neólogo agora) toda uma frase. Cansei de acentos que se tornaram graves não por causa do "a craseado", mas pelos erros absurdos. E se hoje pode-se escrever a esmo, amanhã nem mesmo nos entenderemos.

Contudo, que me desculpem o clichê (ou será um jargão?!), eis que surge uma luz no fim do túnel. Fui quase vencido pelo cansaço, não fosse a perseverança de meu amigo Francisco Iratan Júnior (um blogueiro ignorante como eu). Quase 22 hrs, o tédio já me consumia (não me levem a sério quanto a esse drama), e o tal blogueiro que citei me falara de um blog fascinante. E se "o fascismo é fascinante e deixa gente ignorante fascinada", imagine este blog: blogessinger.blogspot.com.



Pensei que não se escrevesse hoje como antigamente, e não se escreve mesmo. Ainda bem. É preciso inovar. E dos muitos neo's (isso me confirma como neólogo), poucos inovaram como esse cara: Humberto Gessinger. Não bastassem suas músicas, cheias de elementos poéticos e embasadas em diferentes filosofias, o cara ainda escreve. E escreve muito bem. Por anos eu quis encontrar um estilo próprio de escrita.

Comecei exagerando no formalismo e ortografia, quase um cultista como Gregório de Matos. Depois, como num salto quântico, pulei eras de romantismo e naturalismo e quase como um parnasianista (este eterno quase...) busquei a "arte pela arte". Depois, fui me espelhar em Mario de Sá-Carneiro. Acontece que neste período, levado por uma paixão dessas que sempre nos levam, inventei de ler Jane Austen.

Até aí tudo bem. Nada de anormal nessa efemeridade. A não ser pelo fato de que eu deveria me encontrar como escritor. E algo que sempre omito, nunca fui dado às letras, sempre me saí bem com números. No entanto, saber da existência de Bertrand Russel me fez trilhar esta vereda. Bom, voltemos ao foco. Depois de ler Jane Austen, uma vontade enorme de escrever de forma simples tomou conta de mim.

E agora, lendo Blogessinger, me sinto conversando com o próprio Humberto. Como ele próprio diz, é a "paranóia da solidão". Ou seria paranoia? Aff, essa nova ortografia! Acho que encontrei meu estilo. Também quero conversar com o leitor. Agora sim. Tudo bem. "Tá legal. Eu tô ligado."

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Horizonte

Inalcançável. Inatingível. Intangível. "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.", escrevera Eduardo Galeano. A humanidade move-se sob uma ótica utópica, e cada indivíduo assim o faz. Cada indivíduo almeja um futuro utópico, que na realidade é tão difícil de ocorrer quanto alcançar a linha do horizonte.

Quem não quer ser um milionário? Quem não quer nunca adoecer? Quem não quer viver um amor verdadeiro? Quem não quer viver eternamente? Quem não...? É tudo tão utópico. Estas coisas estão lá, na linha do horizonte. Intangíveis. É quase uma falta de lucidez. Lúcidos, nós nem sequer haveríamos chegado até aqui. Este meio termo, este não tomar lado, este estar entre, esta quase loucura, é que nos faz caminhar.

"Ver a linha do horizonte me distrai" cantou Renato Russo. E de que servem as utopias, senão para mover-nos?


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Paráfrase

Perambulando pela internet me deparei com um artigo fascinante intitulado "O que aconteceu ao amor?". Me senti imediatamente atraído pelo assunto, por este motivo vou transcrever aqui o artigo. O texto na íntegra pode ser encontrado no site http://www.watchtower.org/t/200603/article_01.htm. Bom, aí vai:

"(...) Todos nós temos uma necessidade profunda de amar e ser amados. Desejamos a afeição de nossos pais, filhos, irmãos e amigos. Talvez também ansiemos encontrar uma pessoa que nos ame. (...) Desde a infância, ouvimos histórias românticas sobre pessoas lindas que se apaixonam e vivem felizes para sempre. Cantores romantizam o amor; poetas o exaltam. No entanto, um pesquisador do assunto escreveu: 'É pouco provável que haja outra atividade, outra empreitada, que comece com tamanhas esperanças e expectativas e que, no entanto, fracasse tão regularmente quanto o amor.'
De fato, os nossos relacionamentos mais achegados em geral são os mais problemáticos, resultando em sofrimento em vez de alegria duradoura. Em grande número de países, cerca de 40% dos casamentos atualmente acabam em divórcio, e muitos casais que não se divorciam estão longe de ser felizes.Em muitos lugares há um aumento de famílias uniparentais e de famílias problemáticas, onde as crianças também se tornam vítimas. Mas as crianças são as que mais precisam da segurança emocional de um ambiente familiar caloroso e amoroso.
Então, o que aconteceu ao amor? Onde devemos procurar informações para aprender a respeito dessa qualidade preciosa? (...) Conselho sobre o amor romântico é o que não falta. Terapeutas e conselheiros oferecem ajuda. (...) Muitas páginas na internet prometem dar esclarecimentos sobre como encontrar o amor. (...) O assunto do amor também vende revistas e livros, alguns dos quais fazem promessas exageradas.No entanto, há uma fonte de conselhos que, quando aplicados, nunca falham.






(...) Talvez você até já possua esse bem precioso — a Bíblia Sagrada. Independentemente de nossas circunstâncias ou criação, a Bíblia nos ensina o que precisamos saber sobre o amor. E seu conselho é gratuito. Será que a Bíblia nos ajudará a ter um bom relacionamento com qualquer pessoa? Não. Por mais que nos esforcemos, algumas pessoas não vão se interessar por nós. E o amor verdadeiro não pode ser forçado. Mas, por aplicar as orientações da Bíblia, aumentaremos nossas chances de ter bons relacionamentos, mesmo que isso talvez exija tempo e esforço. (...)
Jesus predisse com detalhes as tendências e a situação dos nossos dias. Ele disse que o mundo seria marcado por criminalidade e guerras — exatamente o contrário do amor! Ele também disse que ‘muitos . . . trairiam uns aos outros e se odiariam uns aos outros’ e que ‘o amor da maioria se esfriaria’. (...) 
O apóstolo Paulo também apresentou detalhadas características sociais, por assim dizer, dos “últimos dias”. Ele escreveu que os humanos seriam 'amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus'.
Sente-se atraído a pessoas orgulhosas, ingratas, desleais, que vão caluniar ou trair você? Interessa-se por indivíduos que amam o dinheiro, os prazeres ou a si mesmos? Visto que as pessoas egocêntricas permitem que a ganância e os desejos pessoais predominem e governem seus relacionamentos, qualquer interesse que mostrem por outros provavelmente é egoísta. As Escrituras aconselham sabiamente: 'Destes afasta-te.'
Note também a declaração de que as pessoas que vivem nos últimos dias não teriam “afeição natural” ou, conforme diz outra tradução, não teriam “amor pela família”. Infelizmente, um número cada vez maior de crianças estão crescendo em lares assim. Em geral, o que elas sabem sobre o amor é o que aprendem nos meios de comunicação. Mas será que a mídia retrata o amor de um modo realista, que realmente vai produzir bons relacionamentos?
A mídia tem influência sobre a maioria de nós, até certo ponto. Uma pesquisadora escreveu: “Desde bem jovens, ficamos expostos a contos de fadas e estereótipos difíceis de mudar sobre sexo, amor e romance mostrados em filmes, na TV, nos livros e revistas, no rádio, na música, na propaganda e até nas notícias.” Ela também explicou: “Nos meios de comunicação em massa, a maioria das representações de sexo, amor e romance moldam ou reforçam expectativas irrealistas que a maioria de nós não consegue descartar completamente. Elas nos deixam insatisfeitos com nossos parceiros e conosco mesmos.”
De fato, livros, filmes e músicas raramente retratam o amor de modo realista. Afinal de contas, seu objetivo principal é divertir, não educar. Para isso, escritores produzem grande quantidade dessa lucrativa mistura de fantasia e romance. Infelizmente, é fácil confundir ficção com realidade. Desse modo, as pessoas em geral ficam decepcionadas quando seus relacionamentos não são iguais aos dos personagens fictícios. Assim, como podemos distinguir a fantasia da realidade, o romance retratado pela mídia do amor verdadeiro?
Em livros, filmes ou peças de teatro, as histórias de amor podem variar, mas a estrutura principal não muda muito. A revista Writer declara: “A maior parte dos romances continua usando o mesmo modelo e há uma razão para isso. A fórmula rapaz-conhece-moça/rapaz-perde-moça/rapaz-reconquista-moça já foi testada e aprovada. Os leitores voltam a ela vez após vez, não importa o cenário ou a época.”
A idéia de amor à primeira vista dá a entender que o amor verdadeiro é apenas um sentimento — uma emoção irresistível que toma conta de você quando conhece a pessoa certa — que esse amor simplesmente acontece e que não exige muito esforço nem que se conheça bem a outra pessoa. O amor verdadeiro, porém, é muito mais do que um sentimento. É claro que há sentimentos envolvidos, mas o amor é um vínculo profundo que inclui também princípios e valores e que nunca pára de crescer, desde que seja nutrido e mantido adequadamente.
Além do mais, leva tempo para conhecer outra pessoa. Achar que, à primeira vista, você encontrou a pessoa perfeita parece mais fantasia do que realidade e normalmente leva à decepção. Além disso, ao apressar-se em dizer que encontrou o amor verdadeiro, você talvez feche sua mente para os indícios do contrário. Escolher um companheiro adequado exige mais do que uma forte intuição influenciada por uma onda de paixão passageira.
Uma porta-voz dos Escritores de Romance da América diz: “O enredo principal do romance deve ser a respeito de duas pessoas que se apaixonam e lutam para fazer o relacionamento dar certo.” O relacionamento dará certo na maioria das histórias — os leitores sabem disso. Os obstáculos, geralmente de natureza externa, são superados. 
Na vida real, em geral há problemas de natureza externa e interna. Talvez envolvam dinheiro, trabalho, parentes e amigos. Mas também surgem problemas quando uma pessoa não atinge as expectativas da outra. As falhas dos personagens fictícios em geral são mínimas, mas não é sempre assim na vida real. Além disso, o amor verdadeiro não faz com que, sem esforço da nossa parte, superemos dificuldades, diferenças de opinião, de criação, de vontades e de personalidade. Em vez disso, o amor envolve cooperação, humildade, brandura, paciência e longanimidade.
Um escritor de romances aconselha quem quer ser escritor: “Você precisa do final ‘felizes para sempre’. . . . O leitor deve ficar satisfeito de que o casal está junto e feliz.” Os romances raramente retratam os personagens após anos de casamento. Durante esse tempo, desacordos e uma infinidade de outros desafios e dificuldades talvez tenham testado o relacionamento. E como as estatísticas sobre divórcio mostram, com o tempo, muitos casamentos fracassam nesse teste. 
Sim, o amor dos romances é relativamente fácil; o amor verdadeiro exige esforço. Entender a diferença entre os dois vai protegê-lo contra expectativas ingênuas e irrealistas. Também vai evitar que você assuma compromissos apressados, dos quais talvez se arrependa mais tarde."


"O amor verdadeiro exige esforço". Depois de ler este artigo, Carla Bruni resume bem o que penso: "L'amour, pas pour moi".